segunda-feira, 6 de outubro de 2008

















































Mais algumas das 700







segunda-feira, 29 de setembro de 2008

The end e chega de saudade

Enfim, passada a euforia da chegada, a África já se torna passado. Um passado que permanecerá para sempre na minha memória, na minha maneira de encarar os fatos, nos meus medos e nas minhas alegrias. Vai demorar para eu entender de verdade tudo o que aconteceu por lá. É provável que talvez eu nunca entenda por completo.

Difícil voltar pra casa também, ainda mais depois de ter passado por Londres. Porto Alegre é a minha cidade preferida, mas às vezes se torna pequena demais. Dá um aperto no coração e penso: será que agora consigo ficar por aqui um bom tempo? Onde será que vou morar depois? Difícil também encarar as mesmas possibilidades de errar, os mesmos vícios de comportamento e as mesmas insatisfações que antes pareciam menores por causa da distância.

Mas voltar também ter a melhor parte da viagem. Ver o amor e os amigos. Fazer piada que as pessoas entendem e descobrir que muitas coisas boas aconteceram quando eu não estava aqui. E respirar tranquila, desfazendo as malas para deixar de viver acampada.

Só somos felizes se estamos onde deveríamos estar. Mas o mundo é grande demais e sempre acho que eu deveria estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Difícil essa né?
Chego agora a um fim que se torna um novo começo.

Bjs a todos. Adorei ter vocês como companhia de viagem.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Festa Sábadooooo


Ai está o convite da super festa!
Todo mundo lá no sábado hein!
Beijos e saudades de todos

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Happy Hour e Hyde Park







quarta-feira, 3 de setembro de 2008


O apê da Kate Marrone continua lá


mas o hotel ficou chique





tênis chinelo :: literalmente


passeio de domingo :: parque perto de casa

Disney

Pois bem. Londres é a Disney dos adultos. E fica difícil se concentrar para escrever no meio de tanta distração. Mas vamos lá. Claro que a diferença com a África está sendo chocante. A organização dos tranportes e das ruas é uma coisa maravilhosa. Massss… as pessoas correm de um lado para o outro, ninguém se cumprimenta, ninguém se encosta, ninguém sorri. E eu caminho devagar e olho para todo mundo, ainda carregando no rosto um certo bronze e um clima tropical e caótico na mente.
Mas estou sendo muito bem recebida com comidas espanholas, piadas brasileiras e colchão e sabão e pó inglês. Passeio bastante e me perco mais ainda. Hoje fui ver os locais que fizeram parte da minha rotina há 5 anos atrás. Claro que tudo mudou. O hotel onde a gente morava foi destruído e já tem um prédio novo no lugar dele. No McDonald’s onde trabalhei tá tudo diferente.
Engraçado e triste saber também que o Reino Unido se prepara para ter em 2009 a pior crise econômica dos últimos 60 anos. E apesar disso é incrível ver o consumismo como principal meio e fim de qualquer dia. Quanto lixo já produzi nesta semana. Quantas coisas eu já quis comprar. Quanta superficialidade tomou conta do meu pensamento. Quanta informação entrou em mim e como pouca coisa saiu.
Mas como é bom andar na rua sendo invisível e me sentindo segura. É bom demais aqui. Mas se você nasceu inglês ou ficou muito tempo por aqui, o encanto acaba ou nunca começa. E assim o mundo segue. Os africanos querendo vir para Londres. Os ingleses querendo ver o sol. E a brasileira com saudades das pessoas do Brasil.

domingo, 31 de agosto de 2008

Dia de sol em Londres e festa no terraço





Último dia :: cores da África




Londres

Uma cidade perfeitamente disposta para olhares curiosos e mentes aflitas. Se no Brasil falamos que de perto ninguém é normal, em Londres não existe normalidade. Existe sim uma loucura que transborda silenciosa e me enche de paz.
Como diz a mulher do Fogaça, Porto Alegre me dói. Mas Londres me mata.
E me faz nascer de novo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

oi de paris e despedida em abidjan

To aqui no aeroporto esperando para embarcar para londres. A despedida de Abidjan foi bem dificil. Chorei bastante, principalmente por causa das crianças. O pequeno Momo perguntou se eu voltaria depois para buscar ele. O que que eu vou dizer?
Mas claro que teve uma emocao caotica tipicamente africana antes de embarcar. Eu tinha dinheiro africano so para ir ate o aeroporto. Mas percebi que os irmaos que me levaram nao tinham dinheiro para voltar para casa. Entao tentei tirar com meu cartao, mas a unica maquina do aeroporto estava estragada, claro. Entao depois de fazer o check in e despachar minha bagagem, ainda saimos do aeroporto, pegamos um taxi e fomos ate um banco. Tirei um dinheiro, dei para as irmas e voltamos correndo para o aeroporto. Todos meio chorosos e eu atucanada com a hora do voo.
Finalmente embarquei e deu tudo certo no fim.
Agora estou aqui no primeirissimo mundo. Choque cultural eh pouco.
Bjssss

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A praia

Depois de 2 meses ouvindo falar da praia, finalmente chegou o dia. Mas, como tudo por aqui, não foi nada fácil. Primeiro estávamos esperando a resposta de um primo da família que talvez nos levasse de carro até lá. Obviamente ele disse que não podia. Ok, depois de muitas confusões, brigas, funcão de dinheiro, conseguimos sair de casa. Eu, Estelle, Claudia, Fulgence e as 2 crianças. Primeiro pegamos uma lotação trash para sair de Bingerville. Depois pegamos um taxi, depois um carro para 8 pessoas e depois outro taxi. No carro para 8 pessoas tinha um marroquino que estava bebado e cuspia no nosso banco, xingava todo mundo e dava risadas de louco. Muuuuito irritante. Tá, depois de toda essa função que durou 2 horas por causa do engarrafamento, finalmente chegamos na praia. Pagamos uma quantia para ficar num quiosque e nos ajeitamos. Para mim tava ótimo, tinha sombra e cadeira. Para completar a minha alegria fulgaz de pseudo turista, eu queria tomar uma cerveja, uma só, para dizer para mim mesma que estava tudo na paz. Mas o Fulgence, (pessoa muito mala as vezes) não queria me deixar, porque ali era muito caro. Mas insisti e tomei a maldita cerveja que tava quente por sinal. Aqui eles tomam cerveja morna no calor, ieca. Ta, apesar de todas as dificuldades, me diverti sozinha no mar, que tava muito bom. Pelo que vi o povo aqui morre de medo do mar. Claudia e Estelle nem entraram na água. Ficaram só na beirinha. Fulgence tomou um banho de medroso e no outro dia ficou gripado. Eu aproveitei e me lembrei um pouco do Brasil, afinal é tudo Oceano Atlântico. Voltamos para casa morrendo de fome porque o Fulgence mala não deixou ninguém comer lá no quiosque mentindo que íamos comer depois e no fim não comemos nada o dia inteiro. Mas a outra coisa boa do dia foi ver o Momo, minha criança preferida aqui, experimentando pela primeira vez o mar e dizendo “tem sal lá dentro”! Coisa mais fofa.
Quando eu perguntei porque a praia era tão vazia, me disseram que é porque é caro vir de Abidjan até lá. Ok, mas e as pessoas que moram em Bassam (nome da cidade que estávamos). Ah daí não sei, responderam. Ou seja, às vezes aqui o pessoal põe a culpa no dinheiro, mas a diferença é cultural mesmo. Pelo que percebi as pessoas não vão a praia por vários motivos. Primeiro, porque tem medo do mar, segundo porque as mulheres não gostam de tomar sol porque ficam ainda mais negras e terceiro porque não gostam de molhar o cabelo. Devem ter outras razões, mas daí já não sei.
Queria ver mais da cidade, dizem que tem casas bem antigas por lá, que os franceses moravam antes e tal. Mas meu guias turísticos aqui não dão muita bola para as minhas solicitações se eles acham que vai ser caro ou se não conhecem o que estou pedindo.
Enfim, este foi o caótico e ainda sim proveitoso dia na praia.

últimas impressões

- Desde que vi De Volta Para o Futuro ainda lá em Uruguaina, meu sonho de infância é viajar no tempo. Tá, mais ou menos que consegui realizar. Algumas coisas aqui me lembram o Brasil no passado. Outras me lembram a Idade Média, sem exagero. Como eu já disse os Beatles ainda não existiram aqui, a maioria das pessoas da família não usa e-mail, pouquíssimas pessoas tem computador em casa e McDonald’s é só uma palavra em outra língua. E o incrível é que estou numa cidade que é a capital econômica de um país e não numa cidade do interior e longe de tudo. A próxima vez que eu ouvir a palavra globalização, ela vai soar bem diferente do que era antes este termo para mim.

- Apesar de ver tanta discussão entre negros por aqui, as pessoas que conheci que me deram mais medo e mais raiva foram 2 homens brancos. Um do Líbano e outro do Marrocos. O do Líbano era o retartado mental que jogava dinheiro na pista de dança e depois dirigiu muito rápido e muito bêbado. O outro do Marrocos era o doido que tava no carro indo para a praia com a gente que cuspia e xingava todo mundo.

- Nestes 2 meses, presenciei muitas discussões e brigas pela rua. Algumas vezes, eu estava com outras pessoas das famílias e as crianças. Tenho que dizer que elas são extremamente corajosas. Aguentam firme como adultos e não falam nada. Ficam quietas, torcendo para o problema acabar. Em 4 anos de vida, elas já devem ter visto muita coisa ruim para ficarem assim, tão comportadas. Tenho certeza que muitas vezes eu senti mais medo do que elas.

- O trabalho da polícia aqui parece ser segurar uma arma gigante e pedir a carteira de identidade das pessoas. Elas param o carro, a lotação trash, o táxi, o que for e pedem a identificação das pessoas. Aconteceu comigo 4 vezes. Não sei porque fazem isso, mas também é uma situação bem medo. Os policiais não são nada gentis.

últimos momentos

- Recebi todo meu salário finalmente. Depois de esperar das 9 da manhã as 4 da tarde na AIESEC, fui no trabalho. Primeiro o meu chefe se fez de louco e me pagou menos do que devia. Eu disse que deveria receber mais. Ele facilmente aceitou. Impressionante como as pessoas aqui sempre acham que vão passar a perna em mim. Mas tá. Acabou de vez a função trabalho. Irônico como nos meus últimos 5 dias sou obrigada a aproveitar e a gastar sem preocupação.

- A entrega dos presentes que chegaram do Brasil foi bem complexa. Algumas pessoas ficaram com inveja do presente das outras. Outras foram infelizes nos seus comentários. Tipo a vizinha que teve nenê há pouco. Ela sempre me perguntava, onde está o presente do meu bebê Luciana. Eu dizia bem feliz que tinha encomendado especialmente do Brasil. Outro dia ela perguntava de novo e eu dizia que a entrega tava atrasada mas tava chegando. Quando finalmente entreguei não apenas 1, mas 2 presentes para o bebê, sabem o que ela disse? E o presente para mim cade? Sério, pensei comigo mesma, quando o ser humano não tem nada, tudo bem, mas quando ele tem um pouco, já acha que nada mais é suficiente.

- Mas a maioria das pessoas foi extremamente educada e adorou os presentes. O Fulgence disse que nunca nenhum trainee da AIESEC aqui tinha feito isso, de presentear toda a família. Ele ficou muito feliz. Porque afinal de contas sua família teve sorte de me receber. Não sou louca e problemática como as histórias dos trainees que ele me contou aqui. Teve um canadense com 5 namoradas em 4 meses que só fazia confusão, também teve um indiano que só aceitava comida comprada no supermercado (inviável aqui) e também ameaçava se matar. Claro que outros foram normais como eu.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

fotinhos


Estelle, a parceria do passeio no Plateau


Sábado é dia de ver muitos casamentos pela rua


Elefantes no Plateau


Palácio da Cultura


Palácio da Justiça no Plateau


Aniversário do General e Ex-ministro: vários discursos


Irmã Mama Claudia e a moda africana estilo tradicional

20

10 coisas que não vou sentir saudades de jeito nenhum
1- chegar em casa e ter uma lagartixa ou uma barata me esperando no banheiro
2- a música daqui
3- o cara da lotação trash batendo na lataria e nos meus ouvidos
4- tomar banho frio
5- não ter descarga
6- a conexão à manivela da internet
7- não poder fazer muita coisa sozinha
8- as bolachas e os chocolates com gosto de papel
9- os bagaceiros me chamando de la blanche na rua e fazendo piadinhas
10- assistir a cor do pecado na TV

10 coisas que mais vou sentir saudades
1- o café da manhã preparado pela Madame Boin
2- as crianças me abraçando quando chego do trabalho
3- a manga, um sacolé chamado bissap, as comidas alloco e atieké
4- Monsieur Boin me explicando sobre política
5- as loucas roupas africanas
6- ver o cabelo das mulheres mudando todo dia
7- as pessoas se dando bonjour e bonsoir
8- a vista que tenho quando saio do cafofinho
9- o que sinto quando alguém me liga do Brasil
10- escrever no blog e ver os comentários

Dia feliz

No primeiro dia que cheguei aqui dormi no quarto de uma menina da AIESEC lá na universidade porque era tarde demais para vir para Bingerville (muito bem exemplificado pelo Vini como Viamão). Quarta as 6:30 da manhã essa menina, que é namorada do Presidente da AIESEC, me liga e me diz que o Presidente precisa da minha ajuda na Embaixada do Brasil. Cheguei na AIESEC e depois de alguns minutos chegou o Presidente com um furúnculo enorme na cara, todo estressado coitado, porque teve que adiar sua passagem para o Congresso Internacional da AIESEC que começa amanhã em São Paulo. A Embaixada do Brasil na Costa do Marfim negou o visto dele. Depois de reunir alguns papéis sobre a minha vinda até aqui, partimos para a Embaixada. Bom, chegamos lá as 11 da manhã e ficamos esperando pessoas do Brasil ligarem para a Embaixadora. Várias pessoas ligaram para dizer que o Congresso era de verdade e que tava tudo bem, que ela poderia dar o visto. E nada e nada e nada. Ela continuou negando o visto e a gente lá plantado. Eu disse para as pessoas da Embaixada que queria falar com a Embaixadora. Eles disseram que não, mas que eu poderia enviar um bilhete em português. Escrevi o bilhete, entreguei pro cara e continuamos esperando. Ele voltou dizendo pra eu voltar lá amanhã (bem coisa de brasileiro né). Eu disse que amanhã não podia, que eu tava voltando pro Brasil, e que tinha que falar com ela hoje. Nesse estágio de desespero eu tava quase implorando pro homem me deixar falar com ela e o coitado do Presidente tava surtando e cuidando do seu furúnculo gigante que parecia aumentar ao longo do dia. E eu, claro, não conseguia olhar para ele sem olhar para o furúnculo. A situação estava dramática. As 4 da tarde a Embaixadora resolveu me receber, mas apenas eu, sem o Presidente. Expliquei a ela em português que a AIESEC era uma instituição séria e vááárias outras coisas. Ela disse que não queria dar o visto por vários motivos bem plausíveis. Mas consegui convencer a Senhora a conceder o visto para o rapaz. Ele ficou muito feliz. Foi muito bom poder ajudar. Pra completar o dia produtivo, me ligaram do Correio de Abidjan para dizer que chegaram os presentes enviados do Brasil que vou dar para a família aqui. Como não consigo entender nada em francês no telefone, quem pegou o recado e o endereço do Correio foi o Presidente. Tive um dia de trabalho em equipe por aqui. Finalmente.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Joie de vivre

Bom, depois de uma temporada tapa na cara conhecendo um pouco da realidade Africana me preparo para um mês de primeiro mundo. Dia 27 vou pra Londres. Nada fácil organizar a viagem por aqui, sem acesso fácil a internet e a uma impressora. Mas contei com a ajuda de minhas amigas queridas. Obrigada!
Vou continuar escrevendo aqui, apesar do blog se chamar lucianafricana. Isso porque tenho a certeza de que se eu não tivesse vindo para cá não iria para Londres de novo. Acho que o que mais mudou em mim foi a urgência de aproveitar as oportunidades. Vi tanta desgraça e apesar disso tanta alegria que me dá vontade de viajar o mundo inteiro contando para as pessoas que elas já são felizes. Começando por mim.

Para quando a África?

Semana que vem to indo embora de Abidjan. Nestes dois meses consegui ter uma vivência intensa da cultura africana, mas acredito que ainda assim muito superficial. De qualquer forma, me sinto no direito de tirar minhas conclusões. Vou falar da África como um todo, porque é assim que as pessoas se referem aqui. Antes de vir, eu estava lendo um livro sobre os problemas socias da África, que foi o único livro que achei sobre o continente. O autor que é de Burkina Faso, país que faz fronteira com a Costa do Marfim, questionava quando foi que as coisas deram errado. Se a civilização começou no Egito não seria lógico que a África fosse o continente mais adiantado e desenvolvido? Ele diz que se o Texas tivesse abrigado a primeira civilização, este fato apareceria todos os dias na CNN. Mas na África ninguém valoriza.
O que foi que aconteceu no meio do caminho? As pessoas que convivi aqui nestes dois meses também se perguntam. Porque tudo aqui é tão difícil? Porque as pessoas não cuidam das ruas, dos prédios, dos carros. Porque sujam tudo e fazem xixi no meio da rua. A impressão que dá é que quem vive aqui tem um misto de preguiça com falta de estímulo para mudar. Se alguém se matar estudando e se formar na universidade, não vai ter emprego depois. Pra que estudar então, porque não jogar o lixo na rua? Se eu não jogar, o outro joga e a rua continua suja. Então jogo também.

Dentro de casa as crianças não perguntam onde está a lixeira e sim onde está a janela.

A corrupção e o nepotismo em todos os setores públicos dominam as antigas e as novas gerações. O incentivo da França para continuar a Guerra, a ignorância dos rebeldes, a falta de caráter do governo, o riso fácil da população, que bebe e dança para esquecer. Apesar da semelhança, o Brasil, pelo menos o Rio Grande do Sul, é primeiro mundo perto daqui.
Quem consegue mais dinheiro manda os filhos para Europa. O primo que fica sente raiva do que foi. A lingual oficial é o francês, mas não esqueça de estudar os outros 60 idiomas tradicionais que você vai ouvir se quiser entender tudo por aqui. E mesmo assim, você não vai entender nada. Nem os africanos entendem. O que foi que deu errado no meio do caminho?

Depois de uma semana...

Pois é. Várias pessoas disseram que eu poderia ficar doente na África. Mas ninguém me disse que um alien africano ia tomar conta do meu corpo. Passei 3 dias sem sair de casa, bem mal. No primeiro dia não saí da cama. No início acharam que era malária. Mas depois viram que era só um problema de alimentação mesmo. Provavelmente algo que comi no primeiro dia de trabalho na AIESEC. No momento estou tomando muito água e torcendo para que eu não fique mal de novo. O problema da comida aqui é que é tudo muito pesado, além de na rua ser tudo muito sujo. Tudo frito, tudo com muita pimenta ou com muito açúcar, ou com muito ovo. Não é fácil ficar doente por aqui, não tem comida tipo sopinha. Acho que o pessoal nunca fica enjoado na África. Quando eu pedi um remédio para acalmar meu estômago, algo como uma Olina, me disseram que ninguém na casa tinha.
Mas ainda bem que está tudo melhor agora. Sábado já fiz um novo passeio e tirei fotos no centro financeiro e administrativo da cidade. É uma zona interessante, que poderia ser bem bonita. O pessoal aqui sempre diz que eles não cuidam das próprias coisas. Os prédios ficam sujos e ninguém limpa. A atenção ao turista também é bem reduzida. Fomos atrás de informações sobre um passeio de barco pela cidade e nos disseram que eles estavam lotados, que só tinha lugar para 6 de setembro. Isso porque eles só fazem 2 passeios por semana. Nada prático ser turista em Abidjan.
Depois que fiquei doente tenho que admitir que o nível de bom humor e compreensão diminuiu bastante. Ando bem irritada com a sujeira dos lugares e com a falta de opções na rua para as pessoas não africanas. Ao mesmo tempo em que digo isso me dou conta que to indo embora e a chance de ver as pessoas daqui de novo é pequena. E vou sentir muito quando eu for. De verdade. É impressionante ver como apesar de ter tão poucos recursos materiais, essa família dividiu tudo comigo, desde comida até carinho, sem pedir nada em troca. E por isso, mesmo com todas as dificuldades, meus dias aqui têm muita coisa boa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Voilà


cozinha


milho na brasa


Irma Claudia e a moda africana


Hotel Ivoire


Madonnaaassssss!


colgate


sala


a casa


almoço


só na grelha

Banquete Africano

No domingo teve o aniversário do cunhado do Monsieur Boin. O cunhado é ex-ministro da Costa do Marfim e é rico. Praticamente experimentei um banquete africano com vários dos pratos famosos que tem por aqui. O mais difícil foi ficar numa mesa onde eu não conhecia ninguém. A Madame ficou meio que na cozinha e o Monsieur sentou com outras pessoas. O aniversário foi cheio de cerimoniais e protocolos no início, mas depois ficou mais tranquilo. Tinha até outro cara branco que era italiano. A Madame veio me contar, se matando de rir, que tinha certeza de que ele tava de peruca. Ela conhece tudo sobre cabelos. E o mais interessante foi ver as pessoas todas metidas as chiques comendo com a mão. É um paradoxo para nós, mas aqui não. Todos dizem que tem comidas que ficam realmente melhores quando se come com a mão. E não é um comer com a mão discreto. Eles enfiam 4 dedos dentro da boca de uma vez só.

sábado, 9 de agosto de 2008

Família em Bingerville e passeios por Abidjan


Madame Boin na cozinha


Momo e a vizinha Emanuella


vassoura


de melissinha


pausa num restaurante para esperar a chuva passar


tampico, tampico aaaaaaaaaaa


supermercado chique


mana estelle e seu quase fiancé

Uma grande família

Às vezes acho que sou injusta nos meus comentários no blog. Vou então falar bem da África. Vou falar da minha família. Tenho 4 irmãs - Claudia, Estelle, Karelle e Rebecca. E 3 irmãos – Fulgence, Maurel e Marius. Claudia é filha de outro casamento, de sangue mesmo é filha apenas do Monsieur Boin. Fulgence é filho apenas da Madame. E a querida Rebecca é uma prima que perdeu os dois pais e agora mora aqui. Tambem moram na casa, um irmão e uma irmã da Madame Boin. E também tem a Axelle que é filha da Claudia, e a empregada Rokia. 13 pessoas no total, 14 contando comigo. Todos já se tornaram especiais para mim.

Estelle
Estelle divide o quarto comigo e me traz água todos os dias para escovar os dentes e fazer xixi. Ela tem 21 anos. Dança bem, é bonita e inteligente. Mas tenho certeza de que ela tem problemas de auto-estima. Mas o que me deixa mais triste é que Estelle não conhece Beatles e nem Elvis. Mas ela adorou a música do Zeca Pagodinho que mostrei pra ela. Já canta em português o refrão: judia de mim, judia, que eu não sou merecedor desse amor. Apesar dela não saber o significado da letra, acho que no fundo ela entende e se identifica com ela. Ela às vezes fica feliz quando eu chego e vem me abraçar gritando “ma copiiiine”. Estelle me deixa feliz.

Madame Boin
A sábia mulher africana que já carregou muitos filhos nas costas. Madame tem um pequeno salão de beleza perto de casa. Mas ela não fica muito lá, agora ela só administra. Nossas conversas são quase sempre sobre comida. Não é de se estranhar que somos as únicas fortinhas da casa. Todo dia ela me fala sobre o prato que estamos preparando ou comendo ou quando tenho tempo ela me bota pra cozinhar junto com ela. Me ensina o nome dos ingredientes em francês e os nomes dos pratos totalmente africanos. Madame Boin às vezes prepara batata frita e frango para mim, comida que a família nunca come, já que é mais caro. Ela sempre me faz rir, quando larga sua seriedade ,se levanta e começa a dançar ou dá uma baita risada por causa de alguma besteira que as crianças falaram. Hoje ela disse pra mim que foi Deus que fez eu vir para a Costa do Marfim, para conhecer a minha família na África. Ela disse que eu posso voltar sempre que quiser e trazer minha família brasileira e meus amigos. Madame Boin me faz sentir em casa.

Monsieur Boin
A pessoa mais séria da casa. Já trabalhou muito e agora aposentado continua trabalhando construindo os puxadinhos para alugar. Ele adora política e sempre me explica algumas coisas. Ele não gosta de ver as crianças dançando todos os dias. Aqui, todos o respeitam, mas ele também dá umas risadas de vez em quando. Monsieur Boin me faz sentir segura.

Fulgence
O irmão da AIESEC que foi me buscar no aeroporto e me acompanha nas coisas práticas da vida. Me deu aula sobre os transportes, sobre o dinheiro e sobre tudo que eu preciso saber para não me passarem a perna. Me levou pra fazer as vacinas, meu levou no primeiro dia de trabalho e me ajuda sempre. Eu ajudo ele a aprender inglês e a mexer no computador. Ele quer morar em Londres e está fazendo seu passaporte. Fulgence me faz sentir grata.

Claudia
A pessoa mais brasileira que conheci aqui na África. Claudia é uma perua Africana, sempre arrumada com roupas e bijous diferentes. A única vez que vi ela triste foi um dia que ela tinha recém lavado seu cabelo e ele não estava bom. Ela também me explica várias coisas sobre a África e é minha segunda mãe aqui, sempre tentando me proteger de que me passem a perna. Tem um sorriso mais do que especial e adora comprar e comer. Claudia me faz ter saudades do Brasil.

Axelle
A filha da Claudia, uma mini perua sem vergonha. Ela é a coisa mais querida, pergunta da minha família no Brasil e se eu vou fazer crianças depois. Ela adora esconder as minhas coisas ou me imitar. É uma pequena mala, mas muito querida. Axelle me faz sentir alegre.

Maurel
Um guri de quatro anos, o mais mimado, por ser o último filho. É um pequeno sem vergonha também. Dança muito e é dengoso. Tá sempre me fazendo carinho e me contando coisas no ouvido, que não entendo. Ele também adora me incomodar, mas eu amo ele. Momo me faz sentir querida.

Rebecca, Mauris e Karelle
Rebecca e Mauris são adolescentes. Ela tem 14 e ele 17. Obedecem os mais velhos e estão sempre me ajudando. São queridos demais e são os adolescentes mais tranquilos que já conheci. Apesar de às vezes se revoltarem um pouco, são elegantes e maduros nas suas insatisfações. Com Karelle não convivi muito, ela está passando as férias na casa de uma outra parte da família. Eles fazem eu me sentir normal.

Cisco e Anne Marie
Os irmãos da Madame Boin são pessoas discretas e tímidas. Vão na Igreja 3 vezes por semana. Ela canta bem, faz roupas e cozinha para uma família americana. Ele ainda é estudante e sempre me pergunta o que eu fiz no dia. Tá sempre comendo arroz, desde de manhã até de noite e é magérrimo. Eles fazem eu me sentir tranquila.

Rokia
A empregada de sorriso tímido e querido me conquistou desde o primeiro dia. Rokia me deixa curiosa.

Novas aventuras

- Bom, ontem foi o dia em que finalmente falei com meus chefes que não ia mais trabalhar lá. Eles não esperavam. Ficaram muito surpresos e um pouco chateados. Eu disse que já tinha pedido trabalho várias vezes e que nada tinha realmente mudado depois de um mês e meio quase. Eles disseram que eu deveria ter pedido mais trabalho (quantas vezes eu precisava pedir eu não sei) e que foi tudo um problema de comunicação e de idiomas. E um dos meus chefes ainda falou que eu estava acabando antes o estágio porque meu noivo devia estar me ligando e me dizendo para voltar para o Brasil. Ou seja, eles não entenderam nada. Espero que essa experiência (fui a primeira estagiária da AIESEC lá) sirva alguma coisa para os próximos estagiários que estão chegando. E até agora só recebi metade do meu salário.

- Um dia antes aconteceram coisas bem bizarras. No dia do Feriado de Independência, a Claudia(irmã) e seu marido nos levaram para sair perto de casa de tarde. Fui eu, Fulgence, Estelle e um amigo do marido da Claudia. Tudo bem até aí. Até o cara começar a dizer que era um absurdo que eu ainda não conhecia Abidjan de verdade. E que aquela noite todos íamos sair. Eu primeiro disse que não, porque tinha a reunião marcada com os chefes na manhã seguinte. Mas não teve jeito. Acabamos indo, o cara tinha carro e todos insistiram que seria uma boa idéia para eu conhecer mais a cidade, já que não precisaríamos pagar os vários transportes que usamos par ir nos lugares mais longes. Primeiro fomos num bar com vários sofás parecido com um que eu já tinha ido. O cara do carro começou a beber demais e a ficar insuportável. O auge foi quando ele se levantou e foi na pista de dança jogar dinheiro no estilo Silvio Santos. Sério, inacreditável. Depois as pessoas decidiram que iríamos para outro lugar. Esse segundo lugar foi bem bom de ver. Era um lugar para dançar mesmo, sem tantos sofás e com uma pista de dança maior, mas mesmo assim com espelho. Eu não dancei, fiquei assistindo encantada, na verdade com as loucas diferenças culturais. Nesse lugar que fomos tinham vários ricos e famosos de Abidjan e algumas pessoas brancas também. Até o jogador Drogba estava lá e outros famosos que eu não conhecia. E o cara do carro foi lá e jogou dinheiro na pista de dança de novo. Depois disso ainda teve um desfile de moda na pista. Foi bem engraçado.

- O fato do meu chefe falar sobre o meu fiancé me ligando do Brasil, explica muito sobre o meu trabalho e sobre a cultura que vejo aqui. Vários homens daqui ainda acham que as mulheres devem ser submissas e gratas por qualquer coisa que eles façam. Os homens não ajudam em nada em relação as coisas da casa, não botam os pés na cozinha e não carregam as crianças no lombo e ainda sim essa criança só vai ter o nome do pai. Não quero generalizar, até porque vejo as pessoas da minha geração com a mentalidade diferente disso. Mas aqui existem pequenas e grandes injustiças com as mulheres. Às vezes as vejo divididas entre a vontade de falar e o medo. Isso me deixa triste e com vontade de gritar.

- No outro dia teve a reunião com os chefes e um seminário da AIESEC bem bom para treinar o francês. Algumas pessoas ficaram impressionadas com o fato de eu estar aqui há tão puco tempo e conseguir falar bastante em francês. Fiquei bem feliz. Também conversei com um casal de alemães que chegou há uma semana e vai ficar aqui por 2 meses, trabalhando num programa da AIESEC de combate à AIDS. Confirmando o estereótipo eles são muito organizados, inteligentes e didáticos. Muito querido o casal.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

E ai gente boa

Tenho novidades

- Hoje falei com o pessoal da AIESEC e ja disse que nao vou mais trabalhar naquela empresa coco. Eles entenderam na boa, sabem que a culpa nao eh minha. Na sexta vou la (porque amanha eh feriado) para um acerto de contas final e para buscar meu dicionario e meu salario, duas coisas muito importantes.

- Tambem informei a data que vou embora daqui que eh dia 27 de agosto.

- No mais tudo bem. Continuo intrigada e tendo problemas com o transporte Abidjanense. Por 2 dias seguidos a lotacao trash estragou e tive que pegar outra. Ontem comecou a sair uma fumaca fedorenta e achei que o negocio fosse explodir, haha, mas nao. So troquei de lotacao e era isso.

- Amanha a Costa do Marfim completa 48 anos de independencia, por isso eh feriado. (que pouquinho neh...)

- Vou trabalhar na AIESEC a partir da semana que vem.

- Meu frances ja ta dando para manter uma conversa de mais de um minuto (eeeeeeee).



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terça-feira, 5 de agosto de 2008

oioi

Queridos! A internet e os horarios aqui andam me boicotando, mas vamos la...

- O fim de semana passado foi muito bom, com direito a compras no centrao. Fui com a minha irma especialista em pechinchar e o fato de eu ser branca nao atrapalhou tanto. Mas nada de glamour neh, voltei com barro ate o joelho. Depois fomos num fast food libanes. Bem ruim a comida. Sou muito mais a comida africana. E o dono do restaurante disse pra minha irma que ele nao gostava de americanos, se referindo a mim. Ela me chamou e tive que mostrar minha identidade da embaixada do Brasil. O cara nao aceitava o fato de que eu vinha do mesmo pais do Ronaldinho e era branca desse jeito. O Brasil eh um misterio para quem nao eh brasileiro.

- Ontem fui no supermercado sozinha pela primeira vez. Foi uma grande vitoria.

- Amanha vou falar com o cara da AIESEC sobre meu trabalho. Outra coisa, ja fechou mais de um mes aqui e nada do meu salario.

- Hoje fui num evento do trabalho num hotel chique. Foi interessante. Power point, coquetel, aquela coisa basica.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

alguns lugares perto de casa











com Madame Boin


passeando um dia perto de casa com minha irma Claudia


os noivos e eu com roupa do casamento tradicional

terça-feira, 29 de julho de 2008

saudades

- Ontem no trabalho foi a primeira vez que vi um colega estressado. Adivinhem porque? Por causa da impressora, claro. Eh um fato universal que a impressora vai dar problema quando a gente mais precisa. Mas hoje ele ja tava bem tranquilo, tirando um ronco na minha sala. Serio, ele deu uma dormida e chegou a roncar.

- Eu implico muito com aquele suco que se chama Tampico. Meu desprezo por ele vem de longa data. Quando a gente para tipo no Japones indo pra Santa Catarina, nunca tem suco de laranja, mas sempre tem Tampico, uma mistura de coisas meios misteriosas e de cor laranja. Pois é. Aqui, a lotacao trash sempre para num lugar que tem uns caras vendendo Tampico. O cara sempre implica comigo, fica me incomodando e me chamando de la blanche. Esses dias eu tava muito irritada com a historia das pessoas me incomodarem na rua, dai virei pra ele e falei : enfia o Tampico no... Mas em portugues, claro. E ele parou de incomodar.

- Aqui todo mundo adora falar das virtudes da Costa do Marfim. Aqui tem tudo! Aqui eh maravilhoso! Todas as frutas e comidas do mundo sao cultivadas aqui! E tentam me convencer que eu devo morar aqui e trazer a minha familia. De brincadeira, claro. Mas o papo continua e 10 minutos depois, eles falam que querem ir pra França, fazer a vida deles la e ganhar muito dinheiro. Eh so ter coragem, eles dizem.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

um mês de aventuras

Fim de semana bem divertido por aqui.

- No sabado fui conhecer um hipermercado, que eh dentro de um centro comercial. Bem comum para os meus olhos, uma paisagem normal para variar. Mas com algumas diferencas eh claro. De hipermercado nao tem nada. Eh pequeno, tipo um Zaffari de tamanho padrao. A decoracao tb eh divertida. Tem lustres coloridos meio indianos pelo teto. E varias pessoas brancas e alguns indianos fazendo compras. Comprei algumas porcarias pra comer e era isso. Tudo bem carinho, para os padroes da minha familia.

- Depois fomos no cinema. Mas a mulher da bilheteria nao queria me deixar entrar por causa da camera fotografica. Fomos embora dai.

- No domingo acordei as 6 da manha para ir na missa com a familia. Neste fim de semana fui na igreja catolica, que tem uma missa de 2 horas. No anterior eu tinha ido com outras pessoas da familia na missa da igreja batista, que durou quase 4 horas. O povo reza muito por aqui.

- Depois teve um encontro politico na casa da familia Boin. Em novembro eles tem eleicoes por aqui. E o encontro era para organizar um comite do partido.

- Hoje no trabalho meu chefe disse que vai colocar internet pra mim essa semana. Vamos aguardar.

- O bebe da vizinha nasceuuu. E deu tudo certo. Tudo muito certo, alias. Ela foi pro hospital de tarde e as 9 da noite ja tava em casa. Tudo muito basico, facil e rapido. E eu perguntando pra minha irma que dia ela voltava. E minha irma respondeu que daqui a pouco ela tava chegando. E chegou.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

sextaaaa

- estou adorando os comentarios do blog, serio eh muito divertido.

- por aqui continuo sem ter trabalho, mas comeco a perceber que no meu escritorio, nao eh muita gente que trabalha de verdade. Ontem um colega tirou um cochilo de uma hora dentro da minha sala. Detalhe: ele chegou a tirar o sapato.

- hoje vou entregar uma lista de coisas que preciso para meu chefe. Ainda tenho esperanca de produzir algo por aqui.

- mais informacoes sobre os transportes abidjanenses. A lotacao trash cada dia me surpreende mais. As vezes ela ta indo pro meu bairro, mas pode simplesmente desistir e ir pro outro lado, porque do outro lado tem mais clientes. Ai todo mundo tem que descer e pegar outra. E mais, tem o motorista a o carinha que recolhe o dinheiro. Esse ultimo, bate na lataria da lotacao com toda a forca para chamar clientes. E eu la dentro.
Os taxis tb sao barulhentos. Se nao estao com cliente buzinam sem parar para chamar a atencao das pessoas. E quando me veem buzinam mais ainda, porque acham que vao ganhar mais comigo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

oie de novo

- ja acharam aqui que eu era alema e tb canadense (acredito que da parte do canada que fala ingles neh)

- as pessoas nao entendem o tamanho do brasil. quando eu digo que sou do brasil, sempre alguem pergunta: - tu conhece o fulaninho? eu digo onde ele mora? e a pessoa responde, ah nao sei.
Todos se decepcionam tambem porque nao conhece o ronaldinho, nem o pele e nem a giovana antoneli que ta na novela aqui. Por sinal, alguem se lembra se ela morre no final, na Cor do Pecado?

- Outra duvida: existe negro albino? se existe, eu acho vi ontem.

- o DVD que eu trouxe sobre eh POA eh bem bom para mostrar a cidade. So tem um problema, a unica hora em que aparece negro eh na favela, no carnaval e correndo da policia. Ou seja, nem um pouco simpatico para o pessoal por aqui.

oieeee

mais detalhes da vida em Abidjan...

- as criancas recbem apenas o sobrenome do pai, nada de nome da mae

- continuo sem trabalhar de verdade. No momento estou fazendo um planejamento para a publicidade de volta as aulas que eh em setembro. Mas tudo por minha conta. Quando pedi para ver o que eles ja tinham eles disseram que era melhor eu fazer sem ver nada, que eh pra fazer do jeito que eu achar melhor. Meu chefe, um cara que usa terno risca de giz com camisa listradona, olha pra mim e fala : marketing, stratégique, marketing stratégique...

- meu irmao de 26 anos nunca trabalhou. Ele tenta conseguir emprego, mas nada. Nao sei ate que ponto... Mas o fato eh que ele quer ir morar em Londres para juntar dinheiro trabalhando. Mas se enrolaaaaaa, desde que eu cheguei ele ainda nem comecou a fazer o passaporte.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

segunda dia 21 de julho

- Logo que cheguei aqui, quando as pessoas perguntavam da minha vida eu dizia que era casada. Mas cade a alianca? diziam em seguida. Eu explicava que no Brasil era mais ou menos normal um casal morar junto e ter vida de casado, sem fazer uma festa antes e tal. Mas as pessoas nao aceitam minha explicacao. Acham que quando eu voltar para o Brasil devo me casar imediatamente com Vinicius, meu fiancé. E quantos filhos eu pretendo ter? E porque nao tenho filhos ainda? Ate as criancas me perguntam isso. Ontem me explicaram que na Africa, uma mulher da minha idade que ainda nao eh casada com alianca e tudo, pode ser considerada uma ma pessoa, ja que ninguem a quis. E preciso que uma alianca aprove o meu carater para eu ser bem vista pelos outros.

- Ensinei a danca do siri para as criancas. Elas adoram. As criancas sao demais. Eles me incomodam muuuuuito. Xingo eles em portugues para eles pararem e eles entendem. Mas eles sao muito queridos. As vezes to meio quieta demais e eles vem gritando Luciana, Luciana, la blanche, la blanche... Disso vou sentir saudades.

- Tem outro nene a caminho por aqui. E da vizinha. Todo dia ela mexe no meu cabelo e depois esfrega a mao na barriga dela, torcendo para que a filha tenha o meu cabelo. Que por sinal, aqui, todo mundo acha maravilhoso. Quem diria que meu cabelo mirrado, anemico e palhoso fosse fazer ser icone de beleza em algum lugar. Realmente tudo na vida eh uma questao de perspectiva.

- Rock nao existe aqui. O mundo de Abidjan vive perfeitamente sem saber o que eh Beatles e Elvis. Claro que qlgumqs pessoqs conhecem, mas varias ja vi que nao. Alem das musicas tradicionais, o povo curte muuuuuito Celine Dion (!), Toni Braxton, aquela do Umbrella (aaaaaa) e tb Julio Iglesias (da onde meu deus).

sábado, 19 de julho de 2008

fotinhos





19 de julho

Hoje dormi até as 10, o que é uma espécie de recorde aqui pra mim. Ando sonhando tanto, que parece que meu inconsciente quer explodir. Nunca sonhava nada, mas aqui meu cerébro faz uma confusão de misturas. Hoje sonhei que estava indo para a Rússia, desvendar um crime que aconteceu numa outra dimensão de tempo, tipo aquele filme Dejavu. Esses dias acordei rindo porque no sonho tinha me mudado para o Canadá, que deve ser o oposto daqui. Lá eles também falam francês, pensei no sonho. E assim vou indo, cada dia tem coisa nova no meu sonho. Meu inconsciente deve estar se reciclando ou algo assim. Mas como não sou especialista no assunto, vou parar de falar besteira. Mas dormir aqui é uma experiência doida. Sempre um pouco bagunçada, minha mente parece que não relaxa. Sonho com os transportes que não funcionam, com trabalhos que não acontecem, com pessoas e com línguas que nunca vi. Às vezes tenho a impressão de que vou acordar em Porto Alegre. Uma viagem à parte, dentro da viagem.

- As pessoas aqui tem um timing perfeito. Sempre alguém vem me chamar no cafofo quando estou escovando os dentes e fazendo xixi. Saudades da minha privacidade.

- Certamente estava errada quando achei que fosse emagrecer aqui. As pessoas comem muito. E apesar de comer frutas e coisas saudáveis, comer de lanche um tipo de banana diferente da do Brasil com ovo cozindo não deve ser considerado light. Desde que eu cheguei Madame Boin perguntou o que eu comia no Brasil. E eu expliquei, salada, pão, massa, churrasco, feijão, arroz… E ela me olhou e disse bem séria: Aqui tu vai engordar. A quantidade de óleo que eles usam na comida é impressionante. Na África, quando as pessoas não passam fome, comem muito, mas pelo jeito não engordam fácil. Infelizmente neste ponto não sou africana.

- Preciso contar essa porque tem gente que vai gostar: vi um anão negro essa semana.

18 de julho

Hoje sem dúvida, foi o dia que mais me aventurei por aqui. Mas foi sem querer, não se preocupem, não estou ficando louca. Fui para o trabalho porque a minha família disse que eu deveria ir, que os transportes estariam ok hoje. Realmente consegui ir, mas depois de esperar umas 2 horas lá, vi que ninguém ia chegar. Daí resolvi ir pra casa. Tentei a lotação trash e nada. Fui pegar o ônibus e me senti super legal, super independente. Ia conseguir ir sozinha pra casa apesar da greve. Mas no meio do caminho, o ônibus pára e diz, todo mundo desce, esse ônibus não vai mais para Bingerville. Ahhhhh, me vi no meio de uma estrada com nada em volta e com o sol na cara caminhando em direção a casa. Era o único jeito. Caminhei por mais de meia hora e depois um carro que tinha dado carona para outras 2 meninas que estavam no ônibus perto de mim, me ofereceu carona tb. Foi isso, tive um grande momento de tensão, vestida com roupa de escritório, no meio de uma estrada na zona rural da África, mas estou viva.

- respondendo a quem perguntou o que seria uma roupa apropriada para visitar clientes, que eu escrevi da outra vez. Aqui as pessoas acham que jeans para trabalhar é inviável. Os homens usam camisa e calça, mas isso não quer dizer que eles pareçam bem arrumados. As mulheres usam ternos anos 80 de cores e estampas bem “marcantes,” de manga curta e ombreiras, ou saias longas com babados na barra. Certo que vou continuar com as minhas roupas inadequadas para visitar clientes, não tenham dúvida disso.

- como o cafofinho não tem geladeira, sou obrigada a de vez em quando me abastecer de algumas porcarias que não precisem de refrigeração. Comprei já alguns tipos de bolachas, mas tá brabo. São ruins demais. Incrível como o país que mais exporta cacau no mundo tenha as piores bolachas de chocolate do universo.

-como é ruim depender dos outros para se fazer as coisas. Não tenho cozinha, ou seja, dependo da família para fazer as refeições, já que na rua é bem arriscado. E viva o arroz com peixe.

17 de julho

Terceiro dia sem trabalhar. Quer dizer, hoje até consegui ir até o lugar, mas cheguei lá e não tinha ninguém. Desisti e fui tentar voltar pra casa. Adivinhem: não tinha como, greve de novo. Tive que pedir socorro para o meu irmão da aiesec me resgatar e me levar de ônibus pra casa. Amanhã não vou nem tentar ir ao trabalho porque certo que vou ficar ilhada de novo. E não tem como vir a pé para casa. Seriam mais de 3 horas de estrada sem calçada, ou seja, inviável e perigoso. Mas tudo bem, to aproveitando os dias por aqui, hoje não choveu muito, deu pra dar uma caminhada pelas redondezas da minha casa, que segundo o Vini é em Viamão. Tem lugares realmente bonitos por aqui.

Vamos lá:
- Desde que cheguei preciso tirar dinheiro com um cartão de viagens VISA. Acreditem: até agora não vi nenhum caixa eletrônico. Simplesmente não existe. Quer dizer até existe, mas tem que se informar onde, pegar mil táxis e lotações trashs (se a greve terminar), ir até um bairro distante e talvez quem sabe utilizar as maravilhas da tecnologia. E eu que reclamava das limitações do banricompras.

- Já me sinto melhor com a língua francesa. No momento, francês parece inglês e inglês parece português.

- O casamento que eu fui foi bem legal. Aqui eles casam por dois dias seguidos. Um dia com roupa de noiva que conhecemos e outro dia com roupas e costumes mais tradicionais. Na Igreja, as músicas são as melhores que ouvi desde que cheguei aqui, muito lindas e o coral meu deus, um espetáculo. Só que é uma maratona. Só na Igreja, o casamento deve ter durado umas 4 horas. Ainda bem que chegamos atrasados. Depois a recepção é apenas um detalhe. No outro dia não fui, mas me fantasiaram aqui em casa para tirar foto com os noivos.

- As outras músicas, fora as da igreja, são uma grande bosta. Sério que coisa que dói no ouvido. Nem o DJ Gorizinho ia curtir. Quando as pessoas me perguntam se eu gosto da música aqui digo com toda a sinceridade do mundo que odeio. Sei que não é simpatico, mas se vocês ouvissem o que ouço também não iam conseguir mentir.

- Acreditem, aqui só existem 2 canais de TV. E quando eu perguntei para as minhas irmãs qual era o melhor elas reposderam os 2. Sim, melhor do que só ter 1 é ter 2. E os anunciantes, tanto na TV quanto na mídia externa, são sempre os mesmos. Já decorei tudo que tem por aqui. Para se ter uma idéia, todo dia passo por um outdoor que anuncia uma feira de negócios que aconteceu em maio.

- Apesar de todas as bizarrices e talvez por causa delas estou gostando muito de estar aqui. As pessoas são muito afetivas, solidárias e divertidas. Conheço mais meus vizinhos aqui do que em Porto Alegre. Todo dia alguém me fala bonjour e bonsoir como se fosse a primeira vez na vida que disesse isso pra alguém. E eu respondo, quem diria, genuinamente simpática.

dia 16 de julho

Segundo dia da semana sem poder ir ao trabalho. Acordo às 6 da manhã, me visto, espero a lotação trash e depois de quase uma hora desisto e volto pra casa. Bem bizarro isso. Acabo nao fazendo muita coisa por aqui, até porque não para de chover. Mas aí posso escrever.
Mais observações:

- esses dias falando com as pessoas do trabalho eles disseram que os africanos trabalham quando precisam e quando tem dinheiro param de trabalhar. Será que isso explica tudo? Duvido. E quando eu falei pra eles que achava os meios de transporte muito desorganizados (antes da greve ainda) eles riram e disseram: é, nós não somos organizados. E ponto. Realmente essa é uma maneira bem resignada de ver as coisas.

- hoje comi peixe no café da manhã e também comi milho na brasa. Provavelmente vou comer peixe no almoço e na janta também. E apesar disso, ando com muito desejo de comer sushi. Também ando com saudade de coca-cola e café que não tomo desde que cheguei aqui. Mas acho isso bom.

- as pessoas da família e eu nos damos cada dia melhor.

- ainda nao sei quanto tempo vou ficar aqui. A família pode me receber por 2 meses e meu visto so vale por 3. Os 4 meses iniciais estao no momento fora de cogitação. Mas tudo bem, vou saber quando chegar a hora de partir.

- outra contradição de Abidjan. Aqui as pessoas quase se matam e morrem de stress no trânsito. Mas quando caminham, meu deus, parecem que se arrastam. É um treino para mim acompanhar o ritmo deles. E olha que eu me considero lerda para os padrões brasileiros.

- outra coisa, como eles sentem frio. To eu bem bela de regatinha, saia, cabelo preso por causa do calor e eles estao de moletom, perguntando se não to com frio. Hahaha e eu que achei que era a pessoa mais friorenta do mundo, aqui virei corajosa.

- apesar de estar penando para fazer coisas simples como xixi, banho, lavar roupa, comprar papel higiênico, vivo também na maior mordomia. Desde que cheguei não lavei nenhuma louça e ganho manga ou laranja descascada de sobremesa. A manga por sinal tá um espetáculo.

terça dia 15 de julho

Estou em casa hj, não fui trabalhar porque tem uma greve dos transportes. Dai mandei uma mensagem para o meu chefe dizendo que eu nao tava conseguindo ir e ele me ligou dizendo que tava tudo bem. Achei a attitude dele muito tranquilizante. E ontem pela primeira vez eu trabalhei de verdade e foi bom. Acho que adiantou a reunião com a aiesec e com o chefe.
Algumas novas observações sobre o lugar que habito:

- Os homens usam Melissa. Sério, aquele modelo mais clássico, mas usam. E as mulheres não.

- Fiz uma noite no sábado. Eu e mais 6 pessoas do condomínio onde moro fomos num bar. Depois de uma longa ida, chegamos numa rua que tem vários bares. Não pagamos nada para entrar. Pegamos uma mesa e sentamos no sofá. O lugar era todo cheio de sofás (me lembrei da tubis). A música tava muito alta, não dava pra conversar. Todos tomaram whisky, eu era a única tomando cerveja. Dai de repente alguem levanta e sem sair da rodinha das pessoas no sofá e começa a dançar. E é isso a noite inteira. Fora que tem uma mini pista de dança com muitos espelhos. Ou seja as pessoas dançam se olhando no espelho. Uma das coisas mais constrangedoras que já vi na vida. E eu que achei que tava vindo para um país sem Big Brother Costa do Marfim, para um país menos egocêntrico e menos fútil. Que nada. Mas tenho que admitir que a noite aqui é mais organizada que o dia.

- Acordar às 6 da manhã, não poder lavar o rosto com água corrente e não poder tomar banho está sendo uma experiência bem cansativa. Na hora que saio a casa da familia Boin ainda esta fechada. Com água aqui no cafofo a vida ficaria mais fácil. Mas nada é fácil na África é o que dizem por aqui. Notei que sempre falta alguma coisa. Na primeira noite dormi no campus, onde tinha chuveiro e pia, mas não tinha patente nem luz no banheiro do quarto. Onde moro hoje tem pia, patente, luz, mas não tem água corrente. E no trabalho tem tudo mas é tudo sujo. Ah outra coisa, banho quente nem pensar.

- As pessoas aqui querem me ver feliz. Querem que eu prove de alguma forma a elas que não precisamos de mais coisas além do que tem aqui pra se viver. Eu ainda não sei bem o que penso em relação a isso. Sei que às vezes fico feliz e às vezes triste por quem vive aqui. Na família onde moro tem coisas muito boas como por exemplo: as crianças comem comida de verdade, porque nem sabem da existência do mc lanche feliz. Elas não batem nos seus pais. Meninas de 14 anos já cozinham melhor que eu (sei que isso não é difícil, mas enfim) e tem mais força também. As pessoas não passam o dia no computador... Mas tem coisas que me deixam triste como o fato de que quem mora aqui nunca vai ter dinheiro para comprar uma passagem de avião e sair desse pais pobre, onde tudo se parece. Não vai poder experimentar um sushi, apesar de ter tanto peixe em volta. Não vai saber o que é frio, o que é edredom, ou sentir o cheiro de uma loja de perfumes no free shop. O que sera mais importante? Tá, não vamos esquecer que a expectativa de vida aqui é 50 anos e isso não é nada bom, obviamente.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

eh bem isso

Texto do Amyr Klink que a Cris mandou e eu adorei.

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si próprio, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."

saldo de 2 semanas de aventura

- nao chorei
- nao fiquei doente
- emagreci alguns quilos
- ja consigo perceber que as pessoas falam frances
- fui no super com a mae da familia e conseguimos fazer compras atraves de mimicas
- amanha vamos no casamento de um vizinho
- meu trabalho eh totally bizarro
- meu chefe disse que minhas roupas nao sao apropriadas para visitar clientes
- ja comi varias coisas boas
- ja participei da preparacao das comidas
- ja vi 2 brigas na lotacao trash
- nao aguento mais ver gente fazendo xixi na rua
- a unica coisa que ouco em portugues durante todo o dia eh a musica no fim da novela - esse corpo moreno, cheiroso e gostoso que voce tem... e a familia toda canta junto

bom, a dificuldade maior agora eh o trabalho
semana que vem sera decisiva para saber dos meus proximos passos aqui
bjs a todos e to adorando os comentarios no blog, eh muito bom saber de voces

oieee

Bom, essa semana escrevi, escrevi, escrevi, mas ta tudo no pen drive e aqui nas internets pagas nao da pra usar o pen drive onte estao todos os meus textos.
Mas vou tentar fazer um resumao

- por aqui tudo se ajeitando, fora o trabalho. ontem convoquei uma reuniao com o meu chefe e com um cara da aiesec para falar do meu trabalho. Faz uma semana e meia que to indo no trabalho e ate agora nao fiz nada. Ja vi que entrei numa fria. Eles querem eh me usar de chamariz para os estudantes. tipo, olha eles tem uma brasileira trabalhando aqui, uau. Nao sei bem o que vai acontecer ainda. Meu chefe disse que eu tenho que pedir trabalho. Vai entender. Eh isso que faco ha uma semana e ate agora nada. queria mesmo era trocar de empresa. ja vi que eles sao falcatruas.

- em casa tudo bem, ja como as comidas diferentes na boa e ja me comunico mais com a familia.

- com os transportes tudo numa boa, ja to esperta.

- as pessoas da aiesec tb sao bem legais.

- essa semana conheci o bairro de escritotrios que tem aqui, o Plateau. Eh levemente parecido com algumas coisas que eu ja vi na vida, mas o resto todo da cidade eh completamente diferente.

sábado, 5 de julho de 2008

A experiencia continua…
Hoje completa uma semana que a minha aventura comecou. Passa rapido e devagar ao mesmo tempo. Se eu parar pra pensar, estava bem nervosa no aviao sem saber de nada e agora vejo quantas coisas que ja aconteceram desde entao. Quer dizer, na sala de embarque eu ja vi o que esperava por mim. O voo para Abidjan foi o unico que atrasou, eu era a unica branca da classe economica e logo que cheguei no aeroporto foi bem complicado.

A mistura de sentimentos é muito grande. Mas vamos aos fatos:
- Algumas coisas sao bem destoantes. Como por exemplo, vir ao trabalho em uma especie de lotacao trash caindo aos pedacos, respirando uma fumaca preta e ouvindo milhares de buzinas. De repente alguem senta do teu lado e com a maior calma e educacao do mundo fala: bonjour madame.

- Ontem conheci uma zona onde moram as pessoas com mais dinheiro. Achei interessante ver como que apesar da casas serem maiores, o estilo da cultura Africana permanence o mesmo.

- As comidas sao um caso a parte. Ja comi com a mao, e experimentei umas coisas bem locais: um tipo diferente de banana meio cozida, com ovo, tambem cozido. Outra coisa que comi é um negocio que parece arroz mas eh a base de mandioca. Quando eu perguntei por aqui se tinha McDonalds me disseram que sim, mas na verdade nao era bem um macdonalds , era um fast food do Libano. Hahaha, sera que eu entendi certo ?

- O Brasil aqui em Cote D’Ivoire é Ronaldo, Ronaldinho, Pele, Sao Paulo alem do Lula como eu ja disse antes. O futebol eh uma coisa impressionante, ontem ate do Canidia tive que falar.

- A sujeira tambem é um problema bem serio. O lugar que eu trabalho ée bem direitinho, mas é sujo, sujo, sujo. Aleluia aos ceus que onde moro é tudo bem limpinho. Nas ruas eh tudo bem sujo. Ate agorq nao vi uma lixeira.

- Aqui todo mundo eh tri simpatico. Adoram o Brasil, querem saber o que estou achando de Abidjan e tudo o mais. Eu respondo que as pessoas sao very nice.





pequenos



aiesec e meu irmão colorado
muros perto de casa




mana




cafofinho



em casa
dançando com o meu irmão


attieke

alloco

coisa fofa

primeira casa do governo

abro a porta de casa e vejo isso - essa eh a parte boa

cafe da manha tipico - se nao fosse pelas moscas eu comia



restaurante perto de casa
aiesec



indo tomar vacinas

familia


a pessoa que mais entende meu frances no momento


momentos antes de entrar no aviao para abidjan - medooooo
A experiencia continua…
Hoje completa uma semana que a minha aventura comecou. Passa rapido e devagar ao mesmo tempo. Se eu parar pra pensar, estava bem nervosa no aviao sem saber de nada e agora vejo quantas coisas que ja aconteceram desde entao. Quer dizer, na sala de embarque eu ja vi o que esperava por mim. O voo para Abidjan foi o unico que atrasou, eu era a unica branca da classe economica e logo que cheguei no aeroporto foi bem complicado.

A mistura de sentimentos é muito grande. Mas vamos aos fatos:
- Algumas coisas sao bem destoantes. Como por exemplo, vir ao trabalho em uma especie de lotacao trash caindo aos pedacos, respirando uma fumaca preta e ouvindo milhares de buzinas. De repente alguem senta do teu lado e com a maior calma e educacao do mundo fala: bonjour madame.

- Ontem conheci uma zona onde moram as pessoas com mais dinheiro. Achei interessante ver como que apesar da casas serem maiores, o estilo da cultura Africana permanence o mesmo.

- As comidas sao um caso a parte. Ja comi com a mao, e experimentei umas coisas bem locais: um tipo diferente de banana meio cozida, com ovo, tambem cozido. Outra coisa que comi é um negocio que parece arroz mas eh a base de mandioca. Quando eu perguntei por aqui se tinha McDonalds me disseram que sim, mas na verdade nao era bem um macdonalds , era um fast food do Libano. Hahaha, sera que eu entendi certo ?

- O Brasil aqui em Cote D’Ivoire é Ronaldo, Ronaldinho, Pele, Sao Paulo alem do Lula como eu ja disse antes. O futebol eh uma coisa impressionante, ontem ate do Canidia tive que falar.

- A sujeira tambem é um problema bem serio. O lugar que eu trabalho ée bem direitinho, mas é sujo, sujo, sujo. Aleluia aos ceus que onde moro é tudo bem limpinho. Nas ruas eh tudo bem sujo. Ate agorq nao vi uma lixeira.

- Aqui todo mundo eh tri simpatico. Adoram o Brasil, querem saber o que estou achando de Abidjan e tudo o mais. Eu respondo que as pessoas sao very nice.

olá

Primeira impressão: Que que eu to fazendo aqui?
Então vamos lá, meus primeiros dias em Abidjan. O choque cultural é uma coisa muito forte. Coisas simples como ir ao banheiro e tomar água são bem misteriosas no primeiro momento. Mas aos poucos vamos entendendo, como por exemplo: cada um tem o seu papel higiênico e estrangeiros não podem beber água da torneira porque passam mal.
Os dias têm sido bem difíceis por aqui. A impressão que tenho é que estou aqui há um ano. A quantidade de informação bizarra que recebo é insesante.

Boin: minha família na África – eles são demais
Mas vamos ao fatos: minha família é ótima, tenho praticamente uma casa só pra mim, um puxadinho que o Senhor Boin está construindo para alugar depois. A única dificuldade é o banheiro, que ainda não funciona a água. Então todo o dia eles me trazem um balde e uma jarra para escovar os dentes e fazer xixi. O banho eu tomo dans la grand maison.
As minhas irmãs me ajudam muito e as crianças pequenas aos poucos vão me ensinando a falar francês. Para quem tava curioso tenho 7 irmãos, mas na cada sempre tem mais gente. Madame Boin cuida de mim de verdade. Quer que eu me alimente direito e hoje até comprou um pacote de massa pra mim, que aqui é beeeem caro. Meu irmao Fulgence também me ajuda sem parar. Me levou pra tomar vacina e me guia pelas ruas bizarras de Abidjan, Bingerville, Treichville, Youpugan, Platou e sei lá mais onde.

Je ne parle pas le français
A lingua também ta brabo. Eu já entendia pouco francês, imaginem francês com sotaque e misturado com o dialeto africano. Não entendo nada. Mas Mounsier Boin tem paciência de me ensinar até o que já sei, como por exemplo os dias da semana. E ele sempre pergunta do Brasil, pra me fazer falar francês com ele.

Logística da coisa
Nessa semana Fulgence, que é da AIESEC e é da minha família está me ajudando, mas depois vai ficar difícil me virar sozinha. Porque na verdade ele não mora aqui, ele mora no campus da universidade.
O transporte coletivo é um caso à parte. Até agora não entendi como as pessoas se locomovem. Um ônibus que é pra 60 pessoas torna-se elástico e carrega até 300 neguinhos.
Momentos de tensão
Quando fomos comprar um celular no Mercado negro, (imaginem um Mercado negro numa cidade pobre da África) foi ruim demais, as pessoas ficavam gritando “la blanche”, “la blanche”. E o cheiro de lixo misturado com xixi também não ajudou. Outra coisa, aqui as pessoas fazem xixi no meio da rua toda hora, não apenas quando estão bêbadas.

Je travaille beacoup
Hoje comecei a trabalhar e tenho que admitir: marketeiro é marketeiro em qualquer lugar. Apesar de não entender o que meus chefes estavam falando quando visitamos um cliente, eu sabia que eles estavam tentando passar aquele godô. Meu trabalho tb é bizarrão. As pessoas ficam dormindo e lendo jornal, totalmente relax. O material que eles têm, meu deus, é de dar medo. Um logotipo feito no word arte e quando perguntei quem fazia, eles disseram que pagavam terceirizado. Mas é no trabalho que vou aprender a falar na marra. Hoje me deu muita agonia de não entender o que estava se passando.

Brasil na África

Eles conhecem bem Ronaldo, Ronaldinho e Kaká. Os mais velhos perguntam do Pelé. Todo mundo aqui acha que eu moro no Rio ou São Paulo e as pessoas do meu trabalham acham que o Lula é um ótimo presidente e querem me convencer disso.

Saudades
Sem comentários se não eu choro. Amo vocês.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Hits em Abidjan

http://www.youtube.com/watch?v=avQY6ZcxwCU

http://www.youtube.com/watch?v=dXcgJMHeIq0

quarta-feira, 25 de junho de 2008

faltam 2 dias

Ui que nervoso!

terça-feira, 17 de junho de 2008

notinha

A 10 dias de embarcar para Costa do Marfim

Crio aqui um espaço para mandar notícias aos amigos, ao meu amor e à família.
Vou sentir saudades e muita falta de vocês. Mas chegou a hora de desbravar e entender novos lugares e descobrir o que vai se passar aqui dentro quando eu estiver lá fora.
:)
Enjoy